4 X 3 – Bem-vindos. Apesar da grande expectativa que se criou em torno do assunto, não se tratou de nenhuma novidade surpreendente o resultado do julgamento da ação que pedia a cassação da chapa presidencial eleita em 2014, integrada por Dilma Rousseff e Michel Temer. Horas antes do início da primeira das quatro sessões, e portanto, antes de terça-feira, dia 06/06, os veículos de comunicação brasileiros já traçavam os votos dos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Vox Populi – Não há, porém, como negar, que a decisão de manter o presidente Michel Temer no cargo e de preservar a elegibilidade da ex-presidente Dilma Rousseff – cujo impeachment não tirou seus direitos políticos – bate de frente com o clamor popular. Enfim, o resultado do julgamento se deu no sentido oposto à opinião pública, que longe de conhecer as nuances técnicas do tema, se baseia mesmo é na visão de um País atolado em problemas e na necessidade de mudanças urgente.

Unanimidade – Acompanhei atentamente os votos dos ministros – assim como a maioria dos brasileiros que tem acesso à internet e/ ou à TV e rádio (julgamento foi exibido em tempo real e insistentemente divulgado). Sem exceção, os juízes do TSE reconheceram a gravidade das denúncias e defenderam apurações na área penal dos casos em que fogem à esfera eleitoral. Esta unanimidade, entretanto, não foi suficiente para convencer quatro deles de que a chapa teria que ser cassada.

Crise – E mais do que isso: em que pese o respeito que tenho por ele, receio que o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, não tenha razão ao defender que a cassação traria ainda mais instabilidade política ao Brasil. Não me parece que a decisão tenha o poder de mudar a situação atual. Temo até, que piore. Os próximos dias, portanto, serão cruciais no que se refere às reações nas ruas e no Congresso Nacional.

Em tese – Não há como negar, entretanto, que a absolvição traz uma “força relativa” de sustentação ao governo Michel Temer, o que pode ajudá-lo a concluir sua administração – desde que, claro, ele consiga preservar a base aliada, e, em especial, a participação do PSDB. E caso não surjam novas tempestades por aí, tipo novas delações ou denúncias bombásticas.

Reforma política – O certo é que desliguei a televisão após o último voto do TSE,  mais certo do que nunca de que precisamos de uma reforma política, já! E não estou falando de uma “reforminha qualquer”, em que se muda este ou aquele “detalhe” com o objetivo de “parecer” que houve reforma verdadeira. Precisamos de uma reforma política ampla e profunda, que mexa com as estruturas atuais, que seja comprometida com o Brasil e não com os interesses de uns e outros.

Esgotamento – O modelo político atual se esgotou. Os pronunciamentos dos ministros do TSE ao longo do julgamento da chapa Dilma/Temer, a corretíssima operação Lava Jato, a insatisfação popular, tudo isso junto, e cada um em separado, comprova que o modelo se esgotou. Reafirmo o que tenho dito nas últimas semanas: estamos vivendo um momento de transição, uma oportunidade de sairmos de um presente muito ruim para um futuro melhor.

Plenário – E vamos sentir logo o impacto da decisão do TSE na base aliada do governo. Em razão do feriado de Corpus Christi, dia 15/06, quinta-feira, a sessão foi antecipada para dia 12/06, segunda-feira, já com debates em plenário.

Um abraço e até a semana que vem.

*Marcos Montes é deputado federal, líder da bancada do Partido Social Democrático (PSD) na Câmara, membro e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Ele escreve esta coluna semanalmente

(FOTO: CLÁUDIO BASÍLIO DE ARAÚJO/LIDERANÇA PSD)

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