// Palavra do Deputado

07/02/2017

Lembrar Chico Xavier é um alento neste momento de intolerância por que passa o Brasil

Bem-vindos – Abro a coluna de hoje lamentando profundamente o atentado sofrido pelo candidato a prefeito nas eleições suplementares de Campo Florido, no Triângulo Mineiro, Renato Soares – Renatinho. Companheiro de PSD, líder nas pesquisas, ele teria sido alvo de quatro disparos de arma de fogo, segundo informações que tenho até este momento. Não bastasse o horror de um atentado, surpreende também, a covardia de se atirar em um cadeirante. Coloquei minha assessoria à disposição dele, estou acompanhando de perto, mas nada – com certeza – é capaz de amenizar o impacto psicológico enfrentado por uma pessoa nesta situação.

Intolerância - Ao longo das últimas colunas tenho batido em um assunto que está preocupando muita gente no Brasil: a intolerância na política. Assunto que abordei aqui mesmo, neste espaço, ganhou repercussão nacional pouco depois através de declarações do ministro Edson Fachin, relator dos processos da operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), e do novo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE/MG), desembargador Edgard Penna Amorim.

Guerrilha - Independentemente dos termos usados, a conclusão é a mesma. A “demonização” da política, segundo Fachin, ou a “deslegitimação”, de acordo com Amorim, tem provocado radicalizações e aprofundado a distância entre a sociedade civil e seus representantes políticos. Não sei a quem ou a que grupo interessa jogar a população contra a política e provocar esta guerrilha entre brasileiros, mas de uma coisa tenho certeza: as consequências disso não são nada boas para o país.

Paz - E nada como lembrar um dos grandes defensores da paz. A morte do médium Chico Xavier completou 15 anos sexta-feira, dia 30 de junho de 2017. Uma data que tem impacto muito forte na minha vida. Sua morte aconteceu quando eu era prefeito da nossa querida Uberaba - terra que minha família escolheu pra viver quando eu ainda era criança, e que Chico Xavier escolheu já adulto. Independentemente da idade com que chegamos a Uberaba, Chico Xavier e eu tínhamos em comum o amor por esta cidade tão abençoada.

Ser de luz - Ao longo das minhas duas gestões de prefeito tive a honra e o orgulho de conviver com uberabenses da mais alta qualidade – fossem eles, nascidos ou não em Uberaba. E, com certeza, uma destas pessoas foi o líder espírita. Chico Xavier era um bom ouvinte, um bom conselheiro, um ser de luz e de paz, e conversar com ele era sempre um ensinamento. São 15 anos que mais parecem 15 dias.

TV digital – Fiquei feliz por ter sido convidado pelo presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM/RJ), para assinar como testemunha, a renovação de acordos de cooperação na área de TV digital envolvendo a Câmara Federal, Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e as câmaras de vereadores de Uberaba e Uberlândia. Espero que um dia todos os brasileiros tenham acesso à rede legislativa, de forma que possam acompanhar, sem intermediações, o que acontece nas câmaras, assembleias e no Congresso Nacional. O povo tem direito de saber como estão atuando os eleitos.

Denúncia - Eu não poderia deixar de refletir com vocês sobre um assunto que dominou a cena política ao longo da semana: a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB), e que passa agora, a tramitar na Câmara dos Deputados. Vou reafirmar o que já disse aos jornalistas que me procuraram com esta pauta.

Sem mudanças na CCJ - Como líder do PSD na Câmara, vou liberar a bancada. Cada um vota de acordo com o próprio julgamento. E também não pretendo mudar integrantes do PSD na Comissão de Constituição e Justiça, colegiado que analisa a denúncia inicialmente. Se alguém do PSD for substituído será a pedido do próprio colega.

Seguindo em frente - Da minha parte, já decidi o voto. Vou rejeitar a denúncia. Não farei isso para defender o presidente da República, mas sim, para defender o Brasil. Não tenho dúvida de que, se ele for trocado amanhã, no dia seguinte haverá um novo processo para tirar o seu substituto. Esta é uma crise política que só se resolverá com as eleições de 2018 – e ainda assim, não existe garantia disso. O Brasil não pode parar. O Congresso não pode parar. Precisamos seguir em frente.

*Marcos Montes é médico, deputado federal, líder da bancada do Partido Social Democrático (PSD) na Câmara, membro e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ex-prefeito e ex-secretário de Estado em Minas Gerais. Ele escreve esta coluna semanalmente

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IMAGEM – Chico Xavier e Marcos Montes conversam na casa do médium sobre projetos sociais do então prefeito de Uberaba. A foto pertence ao acervo da ex-primeira-dama Marília Montes Cordeiro