// Palavra do Deputado

13/08/2017

Líder do PSD diz que economia pode ser contaminada por crise política

O mandato - Bem-vindos a mais esta conversa semanal, quando tenho a oportunidade de prestar contas de ações do mandato que me foi conferido pelo voto popular – e do qual tenho muito orgulho e ciência da minha responsabilidade.

O compromisso - Nem sempre consigo alcançar o entendimento que eu gostaria, por parte de alguns setores do eleitorado, mas, garanto que o compromisso do mandato é com o Brasil de um modo geral, incluindo, claro, meu Estado – Minas Gerais, a região onde sou majoritário – Triângulo Mineiro, e a cidade do meu domicílio e da minha família – Uberaba.

Reflexos - Nas últimas semanas vocês devem estar acompanhando entrevistas minhas sobre a insatisfação dos partidos da base aliada do governo federal, entre eles, o PSD que lidero na Câmara. A imprensa, com todo direito que lhe cabe, tem destacado alguns pontos mais polêmicos, tipo, por exemplo, o fato de estes partidos estarem lamentando a falta de reciprocidade em relação aos cargos federais.

Expectativa - É claro que os cargos também estão incluídos. Mas, gostaria de lembrar que a insatisfação não se encerra neste único tema. Uma grande maioria – e não tenho dúvida disso – votou pelo adiamento do processo contra o presidente Michel Temer para evitar turbulências políticas.

Contaminação - Expectativa dos deputados federais era de que o presidente se esforçaria para acabar com a crise política, de forma que a retomada do desenvolvimento econômico ganhasse impulso. Não adianta ele ficar no cargo se a desordem política continuar. Infelizmente, na avaliação da base aliada que apoiou sua permanência no cargo, o presidente parece estar se distanciando do equilíbrio político, e isso pode contaminar a economia brasileira.

Soluções - Cabe ao governo evitar o "tumulto" político. É isso que precisa ficar claro. É cargo que trará a calmaria política? Se for, resolva o problema dos cargos. Se o problema são as emendas impositivas, pois que dê solução a este problema. O que o governo – e o presidente em particular – não pode fazer é provocar discórdias na base.

Equipe econômica - É lamentável que o governo (leia-se presidente Michel Temer) não esteja se esforçando para equilibrar a política. Enquanto isso, a equipe econômica parece agir à parte, fazendo das tripas o coração para segurar as pontas e trazer o Brasil de volta aos eixos. Esta semana conversei longamente com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Nada de política. Só falamos de economia.

Caminho certo - Tive ainda mais convicção de que a equipe econômica – com raras exceções - está no caminho certo. A maioria das reformas defendidas tem mesmo que ser aprovada para que o Brasil sobreviva à sua pior crise econômica de todos os tempos. As reformas - Não creio que seja o momento para a reforma da Previdência, mas, certamente a reforma trabalhista e o limite de gastos – já aprovados, e a reforma tributária, por exemplo, são imprescindíveis.

Estresse - Ilan Goldfajn, mestre e doutor em Economia, com experiência na iniciativa privada e na rede pública, consultor de organizações internacionais, entende que a crise, no Brasil, provocou um “teste de estresse real”, conforme reforçou em recente seminário sobre economia. A recessão econômica, aumento do desemprego e da inadimplência, e as incertezas – segundo ele – tiveram impacto real na vida da população.

A motivação - O presidente do Banco Central acredita que o pior da recessão passou e que o cenário atual indica a estabilização da economia, com perspectivas de retomada pouco a pouco. É justamente para que estas previsões sejam confirmadas, que boa parte da Câmara dos Deputados votou contra o afastamento do presidente da República, e para que as denúncias contra ele sejam apuradas após ele deixar o cargo.

Trânsito em pauta – Fui surpreendido esta semana com uma decisão da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ( CCJC ) sobre matéria de minha autoria, proposta em 2011. A CCJC “adotou” meu projeto de lei/emenda que prevê efeito suspensivo durante a tramitação de recursos propostos por motoristas multados. Uma destas notícias que incentivam, ainda mais, o mandato de um parlamentar.

Sugestão – E quero dar a César o que é de César... A ideia – que acatei por entender que fazia justiça – me foi apresentada pelo jornalista Wellington Cardoso Ramos, titular da Secretaria Municipal de Defesa Social, Trânsito e Transporte de Uberaba.

Os detalhes - O projeto de lei/emenda adotado pela CCJC agora integra o Projeto de Lei nº 7.369/2002, de autoria da Comissão de Legislação Participava. Este projeto está tramitando  na CCJC, e altera a Lei nº 9.503 de 23 de setembro de 1997, conhecida como Código de Trânsito Brasileiro. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania opinou pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do Projeto de Lei nº 7.369/2002, incluindo o efeito suspensivo proposto por mim.

Um abraço e até a semana que vem.

*Marcos Montes é médico, está no terceiro mandato de deputado federal; é líder da bancada do Partido Social Democrático (PSD) na Câmara, fundador e presidente do partido em Uberaba; majoritário no Triângulo Mineiro; membro e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA); ex-prefeito e ex-secretário de Estado em Minas Gerais. Ele escreve esta coluna semanalmente

FOTO - Economia foi tema de conversa entre o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e o deputado federal Marcos Montes, durante encontro recente